quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

No rest for the wicked!


Vou economizar um pouco aqui nas palavras, não estou podendo escrever muito (logo, logo entenderão o porquê).

Vou começar meu relato pelo dia de ontem... Como os mais chegados sabem, ontem era o aguardado dia do teste do Detran. Depois de um mês (mais, na verdade) me fudendo pra chegar na hora na auto-escola, sem atrasar, sem faltar aula, finalmente poderia deixar aquilo tudo pra trás e curtir minha última semana de férias!

Acordei bem cedo ontem, me arrumei, tomei café e finalmente a tensão tomou conta de mim. Exame do Detran é assim: Fudeu, fudeu. E eu não queria me fuder, queria passar.

Uma parada rápida pra deixar meu irmão e minha mãe na UFRN, em seguida vou pro lugar do teste. A galera da minha auto-escola ainda não chegou. Espero um pouco, eles aparecem. Ponho minha digital e oficializo minha presença... Tudo certo! Agora vamos esperar o perito chegar. Eram 9hs.

9h30... Nada.

10h... Nada.

10h30... O perito chegou! Vem cheio de piadinhas, como se fosse o dono do lugar. Ele diz “Os que vão fazer moto, podem se encaminhar pra lá, eu irei avaliar vocês em instantes.”

Eu e mais 3 rapazes da minha auto-escola vamos para lá. Estamos nervosos. Muitas pessoas ferram tudo no exame da moto. Eu particularmente não sabia andar de moto, aprendi na auto-escola. Estou nervoso. Vontade de mijar. O banheiro fica longe. Merda.

O perito espertão manda outro cara fazer o exame. Aos poucos a galera vai indo fazer o exame. Galera vai passando, fazendo tudo certo... Boa! Agora é minha vez... Fui deixado por penúltimo. São 11h e pouco... Sol ta foda, mas vamos lá! Faço os procedimentos de segurança e ele me dá o “ok”. Ligo a moto, preparo a embreagem e acelero. Espera! Freios, freios! Um cara que tinha feito um exame antes botou a moto colada na minha! Ia batendo...

Droga, tive de por o pé no chão. Perdi dois pontos... Só posso perder 3.

Começo o exame. Estabilidade perfeita. Ligo todas as setas. Faço o labirinto perfeito, faço o oito perfeito. Faço a prancha perfeita (a prancha é uma reta que você deve se equilibrar em cima até o fim), faço os cones, faço a parada obrigatória. Beleza... Passei! Estou feliz. Fiz tudo certo. Meus amigos de auto-escola acenam e fazem o sinal pra dizer que eu fiz tudo certo! Massa.

Agora a merda: O perito vem até mim e diz “Lembrando que você devia ter se equilibrado na prancha”

Então eu retruco, calmamente: “Eu passei na prancha, tenho certeza!”

E ele: “Eu não vi isso... Se você está dizendo...”

E ele me dá as costas. Porra! Eu pensei “Me fudi... Reprovei! Esse bixo me reprovou só porque sentiu vontade! Droga! Droga!”

Me acalmo e me preparo pra fazer o exame do carro. São 15min pras 13h. Eu sou o último a ser avaliado no Detran. Meu instrutor da auto-escola vem me dizer que eu ferrei tudo na moto... Shit! Já não vou sair com a carteira tão cedo...

Fico nervoso. Fico triste. Um perito diferente é mandado até mim... Diferente dos outros que os meus colegas tiveram! Esse é casca grossa. Ele é grosso comigo, faz pressão. O teste começa bem, faço meia-embreagem, setas... Até que ele diz “você esqueceu de me mandar botar o cinto”.

Shit! O outro perito (como eu fiquei olhando o teste dos outros meninos, eu vi) sempre botava o cinto! Droga!

Faço a baliza. Perfeita. Ele avisa que posso continuar. Não lembro o que ele fala, mas eu respondo na hora errada... Me atrapalho e deixo o carro morrer. Ele anota na prancheta e sorri. Eu continuo o teste. Termino. Pego carona com a galera da auto-escola. Conto o que houve. O instrutor me diz que eu reprovei, mas que em março posso tentar de novo. Merda.

Vou pra casa da minha avó. Conto tudo que aconteceu. Fico triste. Fico com raiva. Foi tudo pressão psicológica e alguns pequenos detalhes:

1 - O perito da moto QUIS me reprovar.

2 – O instrutor me deu a noticia da moto na hora que eu ia fazer o carro.

3 – O carro que eu dirigia na auto-escola é BEM diferente do que eu fiz o exame.

4 – O perito que eu peguei fez pressão psicológica... Bastante! Pra quem estava no Detran desde às 9h sem tomar café e tomando sol quente com nervosismo acumulado...

Bem... Toda essa pressão é parte da máfia que o Detran é... Tudo isso é pra ver se eu solto 150 reais pra eles me aprovarem... EU NÃO DOU, BANDO DE ESCROTOS! Eu faço essa porra toda de novo, mas eu não dou nenhum centavo!

Almoço. Me deito um pouco. To puto, muito puto. Soco a parede. Lágrimas de raiva querem cair. Ligo pra Nathalia... Desculpa por te decepcionar! Você e todas as pessoas que acreditaram em mim... Sorry! Fico deitado enquanto, ainda puto, as lágrimas começam a cair. Só assim pra eu chorar hoje em dia... Raiva.

Meu pai me dá uma carona, vou pra casa. Atualizo as coisas da net... Orkut, Twitter, Popmundo... Finalmente entro no site do Detran... Só pra confirmar a derrota. Ponho o CPF... Espera... Não acredito...

PASSEI NESTA PORRA! EU PASSEI!

Ligo pra geral pra contar as novidades! To tão feliz que sinto vontade de tomar todas à noite! Mas nem dá... Tem futebol americano, primeiro treino!

Nathalia vem ficar comigo à tarde, pra comemorar! Assistimos Lost juntos e jantamos... Bons tempos!

Vou pra casa de Alyson onde os meninos já me esperam... São 20h! Hora de começar o treino!

O treino começa leve... Aquecimento e uma corridinha. Na corrida eu me destaco... Chegando a fazer 5,3 segundos! O segundo que fez melhor fez 5,7! Uhul!

O treino muda, a galera já ta ofegante... Agora temos que pegar as bolas lançadas!

(Lembrando que não tem luz no campo da UFRN, é foda enxergar!)

O rapaz que está treinando os iniciantes ensina a pegada da buceta, a forma ideal de se agarrar a bola.

Várias escapam de mim, mas consigo pegar uma linda! Isso! Ganho elogios! Vamos pra próxima bola... Ele lança. Eu não consigo enxergá-la. Sinto ela raspando no meu dedo mindinho, não pego.

Vou buscar a bola, que correu longe. Percebo algo estranho com meu dedo... Espera... Ele está... DEFORMADO! Puta que pariu, quebrei/ desloquei o dedo!

“Errr... pessoal, acho que quebrei o dedo...” – Digo eu, levantando o dedo super torto pra mostrar pro pessoal.

Alyson e Salgado se prontificam pra me levar pro hospital no carro de Jumentão. Beleza! Valeu galera! Vou pegar minha bolsa, me sinto enjoado no caminho. Vomito um pouco. Levanto, bebo água e saio.

O carro voa.

Eu grito de dor.

Está foda agüentar... Muito foda. Meu dedo está num ângulo estranho.

Peço álcool, eles não tem! Merda! Ta doendo, porra!

Peço rock no som, não tem!

Alyson põe Bon Jovi, You Give Love a Bad Name. Eu canto junto, ou pelo menos tento... A dor me faz gritar mais alto!

Peço um som mais pesado, não tem! Droooga!

Chego no hospital, vou direto pra urgência, o médico pede raio x, vou tirar. A moça do raio X solta um “ah meu deus! Isso ta muito feio!”

Saio, fico do lado de fora com Alyson, Salgado, Meu pai e meu irmão. Peço pra Alyson tirar fotos minhas, do meu dedo fudido, ele faz.

Vou direto pra sala do gesso. O médico fecha as portas.

Ele avisa que não tem nada quebrado, que eu só fodi o ligamento do dedo e que desloquei ele todo... Vai precisar por no lugar.

Ele não me dá anestesia. Ele imprensa meu dedo com força, não entra no lugar. Eu grito. Grito de novo. Ta foda agüentar a dor...

O médico pede desculpa por ter errado. Eu me sinto tonto. Ele tenta de novo. Eu grito novamente, mais alto. Meu dedo faz “tlec” e entra no lugar.

Me sinto enjoado... O médico manda eu deitar. A dor vai diminuindo... Ele me dá um remédio pra dor. Eu começo a rir sozinho na sala. Rio mesmo. Gargalho. Essa dor ta passando. Que bom!

Alyson e Salgado vão embora. Eles me avisam que gravaram o áudio de quando eu grito de dor na hora de por o dedo no lugar. Hehehe... Quero ouvir isso depois!

O médico manda enfaixar meus dedos, põe uma tala de gesso e diz que vou ficar assim por duas semanas... Shit!

Estou drogado. Não sinto mais dor. Estou meio tonto. Meio leve. É o efeito do remédio.

Meu pai me dá um sorvete, que eu tomo feliz! Valeu paizão!

Vou pra casa, dou boa noite à Nathalia, durmo. To acabado e drogado... Que maravilha de dia! Passei no Detran e quebrei o dedo... Ainda não posso dirigir!

É isso aí galera... Esse foi o resumo da minha quarta-feira insana... Pra completar o hall de novidades, hoje teve teste pra vocalista do Kujihan e eu passei... Modéstia à parte... Eu cantei bem! Agora é só ensaiar porque já tem show no Yujô e quem sabe vem o Saga Jam por aí... Vou dar o gás fudido!

Finalmente, quero agradecer a galera que me apoiou nessa quarta insana e que torceram por mim no teste do Detran... Quero agradecer aos meus pais, meu irmão, Alyson, Jumentão, Salgado, Everton, o brother, Tony, Kobayashi Sano, Wendell, Thyago Marrom, Nathalia, Hachiko, Ana Luiza, Nijus e Suko! Valeu galera!

Se eu esqueci alguém, sry, obrigado você também que torceu!

Agora... Quero mandar um foda-se pra galera que duvidou de mim... O meu “vão se fuder e tenham uma boa noite” pra vocês!

Ah... E pra galera que me avisou que futebol americano era perigoso, que eu ia me quebrar... Vocês estavam certos, mas mesmo assim eu ainda quero treinar! :P

Um abraço, galera! Até a próxima!

Arthur, o homem que digitou tudo isso apenas com uma mão.


É... No rest for the wicked!

(No começo do post tem o meu raio-x, espero que consigam enxergar o tamanho da presepada!)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

É a mais pura verdade.

Depois de tanto tempo sem postar estou finalmente voltando às atividades.

Durante esse tempo muita coisa aconteceu, seria idiota da minha parte sair listando acontecimentos, então, vou me ater às coisas mais importantes:

- Depois de nossas aventuras jogando bola de madrugada em Ponta Negra, decidimos profissionalizar o negócio e começamos o “futebol arte das quartas” lá na casa de Alyson! Uma pelada de alto nível e pouca habilidade! É sempre engraçado e muito bom pra se exercitar e baixar o bucho de cerveja (e ainda rola um açaí em seguida pra repor as energias!).

-As férias enfim chegaram, pena que não pude curtir intensamente como imaginava! Precisei dar cabo da auto-escola... Atualmente estou terminado as aulas práticas! Se tudo der certo, estou de carteira antes do carnaval.

-Ganhei uma bolsa na UFRN, na área de Arqueologia e Egito com uma das melhores professoras do departamento! Sou sortudo pra caralho.

Bem, não vim aqui para apenas contar os últimos acontecimentos, nem para recomeçar meu “diário louco” para vocês lerem e rirem. Decidi hoje escrever um pequeno pensamento, algo que possa arrancar um peso do meu peito, algo que está entalado na minha garganta.

Tenham paciência, logo termina.

Quem me conhece sabe que meu passado é cheio de curvas no caminho, pedras... Opa! Pedras não, montanhas! Montanhas enormes no meio do caminho! São coisas que posso enxergar vindo ao longe, no horizonte, mas não consigo escapar, não consigo desviar. Os problemas e as “merdas” me acompanham para onde vou.

Eu sei que tenho uma forte tendência auto-destrutiva... Certa vez disseram pra mim, “Arthur, você mais parece uma bomba-relógio ambulante! Carrega segredos de todos, fardos que não são teus e ainda de quebra tem que agir como líder, não deixando a peteca cair... Mesmo assim você ainda consegue arrumar tempo para se auto-destruir, seja com garotas, numa noite de farra ou apenas num ensaio da banda!”.

É a mais pura verdade.

Meu aniversário de 18 anos é uma boa prova.

Uma lata de cerveja, um copo de whisky, uma noite com os amigos (zoando e detonando tudo), um dia de ensaio... Isso já basta para tirar da minha cabeça às responsabilidades, o peso dos segredos e dos fardos, mas infelizmente, meu cérebro é dotado de uma capacidade incrível de armazenar coisas “inacabadas” e isso martela freqüentemente, fazendo-me pequenos lembretes do que é preciso terminar.

Coisas como trabalhos inacabados, jogos de vídeo-games que não zerei, pessoas que não me despedi, músicas que não terminei de compor, pessoas que não vejo há muito tempo, beijos que nunca dei, chances de fazer coisas que não voltam mais... Não quando queremos, na hora que queremos.

Eu penso que deve ser por isso que cobro tanto de mim, em tudo. Acho que essa é a razão desse meu comportamento “bomba-relógio”. Se eu pudesse acertar tudo, eu o faria, removendo as montanhas do meu caminho...

Então eu continuo me entregando a qualquer coisa que vicie... Qualquer coisa que me mantenha distante das peças que minha mente insista em me pregar.

Insiste. Persiste.

Não é isso que quero para mim, não é isso que eu mereço.

Decido enfim ir buscar algo além. Não além do arco-íris, isso seria muito gay. Além do que eu tenho. Sair dessa minha zona de conforto e buscar enxergar além do véu.

Vou procurar então acabar meus trabalhos, zerar os jogos que sempre quis terminar, me despedir de pessoas a quais nunca disse um adeus, acabar as canções que permeiam minha mente, ver pessoas que não via há eternidades inteiras, cumprir minha palavra com quem devo, o último, quem sabe? Não... Não gostaria que fosse assim. Gostaria de um novo começo, isso sim...

Preciso realmente terminar o que comecei. Eu sou assim, faz parte da minha essência. Se não der certo encerrar o que preciso, bem...

Paciência.

Sigo então meu caminho interditado, não me importo, vou continuar tentando fazer desvios. As montanhas eu posso quebrar com meus punhos, basta que eu queira. Sei que vou me machucar, mas o que nessa vida, que vem para o bem, não machuca antes um pouco?! Nada vem de graça... Isso eu tive de aprender da maneira mais difícil possível. Vou continuar andando pelo meu caminho, enxergando meu passado, onde meus sonhos residem, pois quem sabe um dia eu consiga reencontrá-los em meu presente.